domingo, 26 de dezembro de 2010

MOMENTO DE BALANÇO


Final de ano é uma época oportuna para se fazer um balanço.Medir avanços e ganhos,refletir sobre os vacilos.O ano de 2010,para mim,deixa um saldo positivo.
Tive saúde para trabalhar,algum tempo para os amigos,chance de estar com a família,encaminhei alguns tratamentos de saúde.
No campo político,grandes vitórias foram alcançadas.O PCdoB elegeu dois deputados federais gaúchos,tivemos uma bela votação para o Senado,faremos parte do governo estadual,o qual ajudamos a eleger no primeiro turno,enfim saldo muito positivo.
As expectativas para o ano de 2011 são grandes,como também as lutas para alcançar uma sociedade mais justa,ainda vivemos sob a égide do capitalismo,isso significa que as injustiças não terminaram,e deverão ser combatidas.
A educação é minha área de atuação,e muito preciso ser conquistado,seja na correção salarial dos educadores,como na área pedagógica.

domingo, 19 de dezembro de 2010

O TEMPO MUDA SEMPRE


A chuva já se anuncia,mas como o tempo muda,mais do que nossas idéias,talvez a chuva não venha.Tudo pronto para a chuva,só falta ela chegar.Os ventos,as nuvens pesadas e escuras já estão cobrindo o céu.
A chuva refrescante,vai aplacar este calor.
Faz lembrar banho de chuva das crianças no pátio,o verdejar das plantas,e as gotas de chuva na janela.Será que ela não virá?
O quadro que pintei em palavras nunca será realizado.
O tempo muda,pode ser que a chuva venha,e então serei mais feliz.

OLHOS DE FOGO


Quisera ser uma estrela para ter um brilho maior,do que aquele que vejo em teus olhos.
Sinto o calor dos teus olhos,quando pousam nos meus,ardem,acendem idéias e delírios,
Meu peito se agita,descompassa e o ritmo é de uma batucada feliz e ansiosa,
Veio para mim sem compromisso e agora é firme elo de almas.

Sei teus segredos,quase todos,de vez em quando me surpreendes,que bom!
Nego minha paixão,fujo do teu prazer,mas sem ele,sou quase nada,muito pouco,
Enfim me achego,e a alegria acende as luzes da cidade,meus olhos cerram,
Minha boca se apronta para mais um beijo,e outro,outro..

Ser feliz com este amor,é tudo,me basta.

Autora: Solange Carvalho

COMO UM DIA DE DOMINGO

Hoje,domingo é dia de banhar os bichos(gata e cachorro),fazer o almoço,faxinar geral,enfeitar a casa para o Natal,ler os emails, e ficar feliz por mais um domingo.Mas bah,que felicidade,bem grande!
Por incrível que pareça nem cansei,ainda falta fazer bolo de chocolate,guardar a roupa,e me preparar para amanhã,que trabalho nos três turnos.Já liguei para mãe,também.
O calor está abissal,e aqui não tem brisa,nem parece a Serra,tamanha é a sensação de abafamento,é uma sauna.Não estou mal humorada,mas o calor me irrita,me agita,prefiro temperatura média,quase frio.Fico feliz,com o calor fico macambúzia.

domingo, 12 de dezembro de 2010

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

MULHERES ASSASSINADAS EM CAXIAS DO SUL


O movimento feminista de Caxias,liderado pela UBM,em conjunto com outros setores sempre defendeu o fim da violência,contra as mulheres.
Fruto desta batalha,a cidade foi uma das primeiras a ter a instalação de uma delegacia para atender casos de violência contra a mulher.Foi preciso lutar para que houvesse concurso para delegadas,depois para serem nomeadas.Uma conquista importante foi a Casa de Apoio Viva Raquel,um abrigo temporário para mulheres vítimas de agressão.Veio a Lei Maria da Penha,resultado de muita luta do movimento feminista,no Brasil,todo.Existem alguns problemas para ele ser efetivamente implantada,mas já rendeu vários resultados positivos.
A cidade de Caxias do Sul possui altos índices de violência,e os atos cometidos contra as mulheres também são inúmeros.O caso mais recente,estampa hoje as páginas dos jornais.Uma moça bonita,sonhadora,representante da cidade em concurso internacional,foi encontrada morta,nos arredores da cidade.Pelas características,foi um crime passional.
Refletindo sobre o crime,pensei, mudam as leis,muda a tecnologia,mas as idéias demoram muito para mudar.É preciso acabar com a idéia de propriedade do homem sobre a mulher.O direito da mulher escolher o que fazer de sua vida deve ser encarado como normal.Homens que querem admiração das mulheres precisam evoluir e repeitá-las na sua dignidade humana,como cidadãs que buscam ampliar seus direitos.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

FINAL DE ANO NAS ESCOLAS


Nesta época do ano,penso muito no papel que os educadores representam na vida dos alunos.Cada final de ano,vem carregado de cansaços,de tristezas e alegrias.
As aprovações para o ano seguinte,as reprovações,as chamadas progressões,são dos alunos,mas não deixo de considará-las na contabilidade dos educadores.
Uma vez,li em algum lugar,que cada aluno reprovado,para os educadores significa uma reprovação sua.É preciso considerar que um ano escolar,não é fruto apenas das relações,e trabalhos daquele ano.Os seres humanos são uma soma de todas as suas vivências,de seus erros e acertos e dos outros.Professores têm um viés idealista de que seus alunos precisam prender tudo que eswtudaram.Existem muitas variáveis,que contribuem para o quadro desanimador que encontramos nas escolas.
A educação ainda é vista como importante para a sociedade,mas ela integra e reflete a sociedade em que vivemos.Não somos os mesmos,mudamos todos os dias,a sociedade mudou,evoluiu em alguns aspectos,e em outros ficou mais complexa.
Viver bem,é um desafio.Valores são questionados cotidianamente,existem momentos de crise social,moral,a escola é como um tambor de ressonância desta sociedade inquieta,agressiva e confusa.
No final do ano,os sorrisos dos alunos que ultrapassaram barreiras e alcançaram mais um dos seus objetivos é estimulante para seguir em frente,também aquele choro de dor dos que foram reprovados,deveria servir de experiência.
Uma coisa é certa,alunos são barulhentos,indisciplinados,agitados,criativos,mas escola vazia traz um silêncio, inicialmente agradável,mas depois este silêncio é tumular,um vazio que dói,e esperamos que voltem os alunos para encher de vida a escola.
Reflexões de final de ano.

MARIA TERESA E O PADRINHO


Maria Teresa lembrou do seu padrinho de batismo,hoje já falecido.Conhecido como Marzinho,sempre com um sorriso nos lábios,gostava de violão,sonhador,casou cedo,fã do Jerry Adriani,batizou o filho com o nome do ídolo.Sempre que ele encontrava Maria Teresa,perguntava se ela ainda tinha a bicicleta que ele lhe dera de presente.Ele nunca tinha dado presente algum para ela.Maria nunca pedira presente para ninguém,muito menos para ele.A cobrança que ele se fazia,abria sorrisos nos lábios dela.Marzinho morreu precocemente,não tinha mais de quarenta anos,abatido por uma depressão,que veio depois de ser demitido de uma grande empresa.No hospital,entre um e outro momento de lucidez,ao ver Maria Teresa,ele perguntou se ela ainda tinha a bicicleta.Ela ficou emocionada,e entendeu que esta lembrança significava,que ele nunca conseguiu representar de forma material o carinho que sentia pela afilhada.

sábado, 27 de novembro de 2010

FILHOS PARA O MUNDO


Ter a sensação de ser mãe,é muito forte,não exibo um sentimento piegas,mas sim um sentimento quase instintivo,da satisfação de ser mãe.Ao nascer o filho,as dúvidas básicas,como cuidar,preservar,amar sempre.
O filho cresce e pede o nosso distanciamento para poder ver a luz,fazer sua fotossíntese,entendemos.Mentimos que entendemos,ficamos por perto,fingindo não ter preocupação,mas nem a nós mesmas conseguimos enganar.
Chega a adolescência do filho,os primeiros vacilos,quedas do caminho,e nós ali,entre ergue-los ou dizer que eles sabem levantar,por vezes sugerindo as duas coisas.Os primeiros amores e desamores,e nós ali torcendo pela felicidade dos filhos.
Pergunto e eu mesma respondo,até quando? Mães sempre por perto,junto,de forma virtual,em pensamento,esta ligação supera a racionalidade.Amar é um verbo que nos fortalece e vivifica.

domingo, 21 de novembro de 2010

Domingão

A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS BRASILEIRAS


Há algum tempo,são realizadas denúncias e campanhas para diminuir ou acabar com a violência nas escolas.Vários trabalhos já foram realizados para combater o bullyng,como ficou conhecida as agressões feitas por estudantes.
A comunidade escolar já ouviu e debateu o assunto.Agora,apresentam-se números de ataques feitos aos educadores,de agressão verbal estão partindo para agressão física,com danos psicológicos além dos físicos impossíveis de apagar.
É preciso analisar a escola como uma extensão,um reflexo da sociedade,em que vivemos.A luta pela sobrevivência,principalmente,nos grandes centros urbanos,embrutece algumas pessoas,desfaz valores, ridiculariza normas e regras sociais.O imediatismo hedonista impulsiona o uso de drogas,o que banaliza a violência,em diferentes esferas sociais.As famílias perdem seu papel de núcleo formador inicial das crianças,e que são colocadas,bem cedo,sob a guarda de parentes,vizinho,e da escola.
O ambiente escolar ainda é montado para trabalhar conhecimento,e agora a sociedade exige funções da escola,que nem sempre está preparada para resolver.
Os educadores questionam,qual mesmo o papel da escola e o papel da família?No meio da confusão,ficam as crianças e adolescentes,carentes econômicos,afetivos,e de disciplina.As famílias afirmam que não sabem o que fazer com seus filhos cada vez mais agitados e indisciplinados.
Dentro dos muros das escolas,explodem conflitos de várias personalidades,de muitas tribos diferentes,refletindo famílias diferentes,ou falta de famílias.
Os educadores representam muitas vezes,a única forma de regramento,amizade,ou cobrança de vários alunos,e então acirram-se os embates.Discursos são muitos,aplicação de sugestões são poucas.
Apresento algumas possibilidades de amenizar a situação:as famílias devem conversar desde cedo,com seus filhos,impondo limites e preparando-os para a vida,e os nãos que ela pode trazer;as escolas devem ser espaços que propiciem o acesso ao conhecimento científico,valorizando a bagagem cultural dos educandos;as verbas repassadas para a educação devem corresponder ao grau de importância dela para a sociedade,ou seja aumentar,o que pode trazer salários mais dignos para os educadores,que hoje precisam correr de escola em escola para trabalhar.
Um grande debate nacional sobre o valor da educação,dos educadores,e a formação das crianças brasileiras,é um passo para a busca de soluções ainda que,apenas,amenizem a situação.Pelo menos,por enquanto,já será um alívio nesta guerra cotidiana,que acontece nas escolas.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SOLIDARIEDADE DOS VIZINHOS

Uma foto chamou minha atenção,não por ser capa do jornal da minha cidade.Trazia o rosto de uma mulher sofrida,ao fundo uma fumaça enorme,labaredas,indicando um grande incêncio.Outras pessoas aparecem correndo para salvar mobílias,e coisas em geral.A senhora em destaque na foto,havia salvo uma criança de uma casa,e agora corria para salvar também a boneca da menina que havia salvado.Lembrei que as mulheres,principalmente,tem este olhar sensível,sobre o que é importante para os outros,muitas mulheres desenvolveram este olhar.

INFÂNCIA AGITADA

No final da década de 60,aconteceu de tudo na vida de Maria Teresa,mas uma das coisas marcantes,foi a grande pobreza em que sua família vivia.O pai,metalúrgico,estava desempregado,a mãe era dona de casa,e fazia o que podia para ajudar na sobrevivência,mas com três filhos pequenos era bem difícil ajudar.A família morava no porão da casa de um tio de Maria,o piso era de chão batido,as tampas das janelas eram de madeira grosseira,com enormes frestas.Entrava um frio danado,na parte debaixo da porta.Os móveis eram simples,e semi destruídos.Na parte superior da casa,morava a família do tio,sua mulher e uns sete filhos;o tio trabalhava,a tia em casa,entre uma e outra gravidez,era dona de casa.Na época,os banheiros eram feitos de madeira,na rua,e quando uma fossa enchia,era preciso tampar,e já ter um outro buraco para servir de fossa,para o novo banheiro,que também tinha outros nomes,mas este chega.Várias crianças correndo em redor de casa,era uma preocupação na fase de transição dos banheiros.Maria lembra que o seu irmão mais novo,de menos de tres anos,caiu dentro de uma fossa,e no desepero,sua tia,grávida de 6 meses pulou a janela,e o salvou,e ele já tinha mergulhado e emergido duas vezes.A mãe de Maria deu um banho com vinagre na àgua,e levou o pimpolho até o médico,que examinou,e não receitou nada,só observação.O irmão de Maria sobreviveu,mas durante a infância,foi motivo de gozação de seus irmãos,que sempre diziam,que ele era assim,devido ao fato de ter caido na patente(nome dado ao banheiro),o que causava indignação nele.

CONTOS DE MARIA TERESA


A autora de vários contos guardados no fundo das gavetas e de sua memória,a Maria Teresa,resolveu fazer um diálogo com o mundo.Quer contar alguns trechos que viveu,ou assistiu.Foi difícil para ela tomar a decisão de abrir o coração e expor idéias,dores,e alegrias.Sentia um pudor quase infantil de contar suas impressões sobre tantos fatos.Mas decidiu,vai escrever.Tremam e temam,perdoem o trocadilho de Maria Teresa,ela está iniciando,e como quem inicia a sua fase de escritora,tem direito de pequenos erros,nos primeiros passos.Nos próximos dias,após fazer uma lista,ela pretende escrever e usará este blog para apresentar seus contos.Aguardemos.

domingo, 7 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

MICROCRÉDITO,BANDA LARGA E EDUCAÇÃO

Reproduzo artigo de Luiz Carlos Azenha, publicado no blog Viomundo:

Fiquei satisfeito com a confirmação de que a futura presidente Dilma Roussef vai criar o ministério das micro e pequenas empresas. Nas minhas andanças por aí, como repórter, noto ao mesmo tempo a desinformação sobre programas já existentes e a falta de acesso de muitos pequenos empreendedores ao capital necessário para tocar seus próprios negócios. Falo de gente que ascendeu socialmente graças aos programas sociais do governo Lula e aos aumentos do salário mínimo, mas que precisa de um pequeno empurrão (na forma de empréstimos com juros baixos) para montar empreendimentos, colaborar com a criação de empregos e a competição em uma sociedade capitalista que privilegia poucos com o dinheiro barato do BNDES.No Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, alguns participantes se disseram interessados em transformar a militância digital — quase sempre atividade paralela ao emprego ou atividade profissional remunerada — em atividade autosustentável. Porém, reclamaram da impossibilidade de ter acesso aos meios básicos para tocar suas atividades: um bom computador, uma boa câmera de vídeo, acessórios, dinheiro para pagar cursos, participação em eventos e conferências, viagens e outros gastos.O que me leva à outra meta, também democratizante, que parece estar entre as prioridades do futuro governo: a universalização da banda larga. Como muitos de nós dissemos no Encontro de Blogueiros, queremos mais mídia, mais informação, mais vozes — nunca menos. Em breve anunciaremos detalhes de nossa proposta para formar uma cooperativa de blogueiros para vender “page views” em conjunto no mercado publicitário.O microcrédito e a banda larga universalizada estão longe de ser reivindicações que atendem a um pequeno grupo de militantes digitais. Servem a toda a sociedade brasileira, na medida em que estimulam a competição e reduzem os custos não só da produção de conteúdo informativo e de entretenimento, mas de qualquer pequeno e médio empresário interessado em montar um negócio. Quanto maior for a interconexão entre os brasileiros, maior será o fluxo de informação e conhecimento entre os cidadãos. Maior será a eficácia do governo eletrônico, em todas as esferas. Maior será a transparência. Maior será a possibilidade de usar a rede para reduzir as viagens e os gastos em transporte, incentivar o trabalho e o ensino à distância.Em um dos programas da série Nova África, em Cabo Verde, retratamos como a interligação entre todos os hospitais do arquipélago com os profissionais de sáude e os usuários ajudou a controlar a primeira epidemia de dengue. Os dados sobre os novos casos eram tabulados e colocados na rede em tempo real. A partir das informações, os esforços para combater o vetor da doença eram concentrados nos locais do país onde surgiam os novos casos. Houve redução do número de casos e da mortalidade. Foi um projeto piloto implantado por uma brasileira ligada a um organismo internacional. Uso este pequeno exemplo apenas para deixar claro que a universalização da banda larga tem o poder de multiplicar o potencial de cada cidadão conectado. Aliás, não é isso o que temos visto na blogosfera brasileira, quando ela se entrega a elucidar fatos, desfazer mentiras, disseminar informação e opinião banida da grande mídia comercial?Aqui abro parênteses para sugerir a setores da esquerda brasileira que abandonem a ideia ultrapassada do “controle social da mídia”. É uma ideia do século 20 que persiste no século 21. As novas tecnologias da informação e as redes sociais sugerem justamente o contrário: é preciso defender a atomização da produção de conteúdo e o trabalho colaborativo na produção de informação e opinião.Sim, precisamos de regulamentação das concessões de rádio e TV, como a que existe nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Itália, no Reino Unido, na Alemanha. Precisamos de regulamentação para o direito de resposta. Precisamos de regulamentação para a propriedade cruzada. Precisamos reforçar o campo público da comunicação (rádios e TVs educativas) e incentivar as rádios e TVs comunitárias. Precisamos de incentivo à produção de conteúdo local e regional. Precisamos incentivar a pulverização das verbas publicitárias oficiais em todos os campos — municipal, estadual e federal.“Controle social da mídia” sugere, no entanto, ainda que este não seja o objetivo, controle sobre o conteúdo que tem o potencial de ter efeito prático inverso ao que pretendemos: mais vozes, mais opiniões, mais mídia. A banda larga, as novas tecnologias de informação e as redes sociais permitem, pela crítica e o questionamento, uma forma muito mais moderna e democrática de se opor ao “pensamento único”.Finalmente, chegamos à questão da educação. Durante a campanha, a então candidata Dilma não detalhou sua proposta. Parece haver um amplo consenso na sociedade brasileira de que o país não se modernizará sem amplo investimento na educação pública de qualidade, da pré-escola à pós-graduação. Estou certo de que ficou claro para o eleitorado a relação entre a renda do pré-sal e a possibilidade de fazer os investimentos de que a educação brasileira tanto carece.Olhando os mapas eleitorais da eleição de domingo, me parece claro que embora Dilma Rousseff deva grande parte de sua vitória à diferença conquistada no Nordeste, ela também venceu (por pequena margem) na região mais desenvolvida do país, o Sudeste. Mas também ficou claro que a coalizão governista perdeu em importantes centros, devido a uma parcial desconexão com a classe média urbana brasileira.Atribuo isso a três fatores: 1) à insistência de alguns setores do PT e da esquerda de considerarem a questão da corrupção um “mal menor” ou “moralismo burguês”; o fato concreto, porém, é que as pessoas que pagam a mais elevada carga tributária querem e tem direito à transparência nos negócios do governo, ao gasto público de qualidade e à honestidade no trato do dinheiro público; 2) à falta de vocalização articulada sobre as vantagens que há, para todos os brasileiros, de promover a inclusão social como forma de promover o mercado interno — que tirou o Brasil da crise –, reduzir a violência e promover o bem-estar geral; 3) à falta de um projeto que, para além de combater a miséria, acene para os jovens brasileiros com as perspectivas abertas pelo pré-sal na produção de empregos de alta qualificação e de Ciência e tecnologia nacionais associadas à engenharia, à agricultura, à informatica e à biotecnologia. Perguntem ao neurocientista Miguel Nicolelis, da Duke University, ou ao agora deputado federal Newton Lima, ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos, que tive o prazer de ajudar a eleger (com meu voto).Citei acima não apenas três prioridades importantes, mas quase consensuais na sociedade brasileira. Tendo em vista que a futura presidente Dilma Rousseff será líder de um governo de coalizão, é razoavelmente óbvio que fica mais fácil tocar adiante projetos quase consensuais, assim como é aconselhável, sempre — dada a História do Brasil — ocupar o centro político. Para tantas outras questões, não menos importantes, mas com o potencial de criar dissensão, não custa lembrar que o caminho mais conveniente é travar a disputa política no Congresso.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

ALGUMAS CONQUISTAS DE 2010

No ano de 2010,como em todos outros,tive perdas e conquistas,mas este ano me trouxe grandes conquistas,sejam familiares,pessoais,de trabalho.É preciso dizer que ajudar a eleger a mulher gaúcha,com maior votação até hoje,como deputada federal,foi muito bom;contribuir para eleger um metalúrgico,meu camarada de Caxias do Sul, deputado federal foi maravilhoso;ver a campanha de uma camarada,concorrendo a senadora, e fazer uma votação extaordinária foi inesquecível;participar da eleição e ver eleito em primeiro turno o governador,de uma aliança em que participamos,foi magnífico;ajudar a eleger a primeira presidenta do Brasil e com projeto progressista,foi dilmais.Contar com o apoio dos amigos e da família para superar algumas injustiças e decepções foi essencial.Parece um balanço antecipado,pode ser efeito do dia de Finados,propício para análises e balanços,mas que 2010,está sendo uma ano bom,está.Sinto que no próximo ano,preciso encontrar tempo,para cuidar um pouco mais de mim,além de tudo que já faço,o que menos faço é cuidar da saúde,da auto estima e lazer.Claro,que lazer nem sempre é barato,mas ficar junto à natureza,ainda é de graça,e faz muito bem.Afinal,2011 promete batalhas,colheitas e é preciso estar bem para viver a alegria dos novos tempos.

DILMA NOSSA PRESIDENTA ELEITA

A luta dos militantes durante o segundo turno,foi intensa,conseguimos eleger a primeira mulher presidente do país,ou primeira presidenta.Mais do que a semântica,o que me interessa,é o que a presidenta e seu governo poderão fazer para manter as conquistas já alcançadas durante o governo Lula,e aprofundar mudanças importantes,como uma maior atenção para setores vitais da sociedade,como a educação.A aplicação de um percentual maior do PIB em educação,a garantia de que o fundo do pré-sal seja efetivamente aplicado em educação,e a garantia da implantação de um piso nacional da educação justo e atualizado.A formação continuada dos professores,a instalação de creches,verbas para instalar quadras esportivas nas escolas,são tantas necessidades,mas como educadora,destaco meu setor,não por uma questão corporativista,mas entender ser uma prioridade,para um Brasil que será uma grande potência econômica.Estou confiante,feliz por me sentir representada,pois ter uma mulher como Dilma na presidência,é muito gratificante,e principalmente porque ela representa o projeto iniciado no governo Lula.

domingo, 24 de outubro de 2010

A memória de um Brasil privatizado



Reproduzo artigo do jornalista Tiago Soares:

Imagine que você trabalhou toda uma vida para adquirir um patrimônio. E que, em meio a dívidas, tenha decidido vender uma ou outra coisa para colocar as contas em dia.
Agora imagine que o comprador, durante a negociação, tenha lhe confidenciado que anda meio sem grana. E que então você, ansioso/a para bater o martelo, resolva emprestar para o interessado o dinheiro com o qual seu patrimônio será comprado. O comprador te pagaria de volta a perder de vista, assim que começasse a lucrar com o que acaba de adquirir. Detalhe: você teria vendido justamente os bens com os quais gerava parte de sua renda. E por um preço bastante abaixo do valor de mercado.

Pois foi justamente assim que se deu boa parte das privatizações realizadas no Brasil no governo de Fernando Henrique Cardoso, de meados da década de 1990 até 2002. Empresas públicas produtivas, como a Vale do Rio Doce e a Light, vendidas a preços muito abaixo do que realmente valiam, com financiamento público a perder de vista.

Tendo como argumentos o abatimento da dívida, a atração de capital estrangeiro, o aumento da produtividade e a melhoria dos serviços aos cidadãos e cidadãs, o patrimônio brasileiro foi colocado à venda e oferecido a alguns poucos grupos econômicos internacionais, financiados por bancos estrangeiros e com ajuda do próprio governo brasileiro. O que se escondia, porém, é que na antesala da privatização a infraestrutura das empresas era sucateada, numa política de depreciação do patrimônio nacional, jogando no desemprego dezenas de milhares de profissionais qualificados.

E não foi só isso. Para tornar o negócio atraente, o governo abateu as dívidas das empresas com a União e realizou ajustes de tarifas, puxando para cima os preços dos serviços e garantindo enorme lucro futuro aos investidores. Para se ter uma ideia, o reajuste nas tarifas telefônicas chegou a 500%; no caso da energia alétrica, a coisa ficou na faixa de 150%. E ao contrário de outros países, nos quais os processos de privatização exigiam que as companhias baixassem gradualmente as taxas cobradas pelos seus serviços, o combinado pelo governo FHC foi que os novos donos das empresas estatais poderiam seguir ajustando os preços anualmente, segundo a taxa de inflação.

Para convencer a opinião pública, governo e meios de comunicação defendiam que a venda das estatais atrairia dinheiro do exterior, reduzindo as dívidas externa e interna do Brasil. E, na verdade, ocorreu o contrário: além de “engolir” as dívidas de todas as estatais vendidas (o que aumentou a dívida interna), parte razoável do dinheiro levantado pelos investidores vinha de bancos estrangeiros. O que significou que, no fim das contas, as companhias recém privatizadas, já comprometidas com dívidas junto a grupos financeiros internacionais, seriam obrigadas a enviar grande parte do dinheiro que fizessem para o exterior. Algo que não aliviou – na verdade, piorou – a dívida externa nacional.

Para complicar ainda mais a situação, o próprio governo financiou parte da compra, oferecendo empréstimos do BNDES e trocando crédito pela aquisição de títulos da dívida pública. Medidas que acabaram se tornando um contrasenso, já que, ao oferecer no Brasil parte do dinheiro a ser investido nos leilões, os potenciais compradores acabaram sem estímulo para trazer dólares de fora para o país. Dólares que, justamente, eram alardedados desde o início como um dos motivos para a privatização.

No fim das contas, foi o seguinte: o Brasil entregou boa parte de seu patrimônio a preço de banana para uns poucos grupos econômicos; a dívida pública aumentou assustadoramente (de cerca de 30% do PIB, em 1995, para quase 60% do PIB em 2002); e a política de investimentos do BNDES, que estimulava a remessa de dólares para o exterior, acabou provocando uma recessão que atingiu as famílias do país, numa quebradeira generalizada que levou a enormes índices de desemprego.

Ao fim, foram privatizadas, entre 1990 e 1999, 166 empresas, com 546 mil postos de trabalho extintos diretamente. O que, comparado ao número de privatizações ocorridas desde meados da década de 1980 (19 companhias, entre 1985 e 1990) apenas prova a sanha privatista do projeto do PSDB. Um negócio que, muito bom para alguns poucos lobistas e umas poucas empresas estrangeiras, se mostrou, em pouquíssimo tempo, péssimo para o povo brasileiro.

Só pra se ter uma ideia, alguns casos:

BNDES

Um dos principais responsáveis pela rápida saída do Brasil da crise econômica mundial de 2008, o BNDES quase foi privatizado no governo do PSDB. O banco, que nos últimos anos vem garantindo o crédito e o investimento no país, foi listado em 2000, a pedido do ministério da Fazenda, numa avaliação de possíveis privatizações do setor bancário. A iniciativa foi uma imposição do FMI.

Quem diz é o site do Ministério da Fazenda:

“Com determinação o governo dará continuidade à sua política de modernização e redução do papel dos bancos públicos na economia. O Banco Meridional uma instituição federal foi privatizado em 1998 e em 1999 o sexto maior banco brasileiro o BANESPA agora sob administração federal será privatizado. Ademais o Governo solicitou à comissão de alto nível encarregada do exame dos demais bancos federais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, BNB e BASA) a apresentação até o final de outubro de 1999 de recomendações sobre o papel futuro dessas instituições tratando de questões como possíveis alienações de participações (grifo do autor) nessas instituições fusões vendas de componentes estratégicos ou transformação em agências de desenvolvimento ou bancos de segunda linha. Essas recomendações serão analisadas e decisões serão tomadas pelo Governo antes do final do ano sendo que as determinações serão implementadas no decorrer do ano 2000.”

Banespa

Privatizado em 2000 pelo governo Fernando Henrique Cardoso, o Banco do Estado de São Paulo (Banespa) foi adquirido pelo espanhol Santander por R$ 7 bi. Para se ter uma ideia, entre meados e o fim da década de 1990 o Estado brasileiro havia injetado R$ 50 bi na instituição. R$ 15 bi destes, apenas nos esforços de saneamento prévios ao processo de privatização: o que, descontado o dinheiro conseguido nos leilões, acabou num prejuízo de, no mínimo, R$ 8 bi aos cofres públicos.

Mais que isso: para tornar o negócio atraente, o governo brasileiro liberava o novo (e privado) dono do banco de qualquer contrapartida social (como financiamentos para a agricultura familiar, por exemplo).

Ou como disse ao portal Terra o presidente do Banco Central na época, Armínio Fraga, sobre a privatização do banco paulista: “Fraga explicou que o Banespa privatizado não terá de manter sua atuação em “políticas públicas”, como financiamento a pequenos agricultores, por exemplo. “A privatização deixa clara a separação entre o negócio privado e uma política pública”, disse.”

Vale do Rio Doce

Considerada a segunda maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce (hoje, Vale S. A.) foi privatizada pelo governo do PSDB em 1997, por R$ 3,3 bi. O valor, muito abaixo de mercado, equivale a menos que ela obtinha por ano em 1995 – e, hoje, a algo em torno do feito em apenas um trimestre.

Mais que isso, o processo de privatização esteve envolto em graves suspeitas de corrupção, com acusações de cobrança de propinas milionárias por Ricardo Sérgio, lobista encarregado da montagem do consórcio vencedor. Causou polêmica, ainda, a intervenção do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, na composição dos grupos que concorriam pela companhia, numa ação vista como decisiva para o resultado final do leilão.

Petrobrás

Recentemente alçada ao posto de segunda maior petrolífera do mundo, a Petrobrás foi, ao longo de toda a era tucana, sondada quanto à sua possível privatização. Numa declaração recente, o atual presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, chegou a afirmar que “Para o governo FHC, a Petrobras morreria por inanição. Os planos do governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso eram para desmontar a Petrobras e vendê-la”.

Com a descoberta do pré-sal, a Petrobrás oferece ao país a oportunidade de tornar-se uma das maiores potências globais na área de energia. Pelo projeto proposto pelo governo Lula, boa parte dos rendimentos futuros do governo com pré-sal, na casa dos trilhões de dólares, deverão ser investidos num fundo soberano para investimentos em educação e ciência e tecnologia.

Além disso, o processo de capitalização da Petrobrás, no qual foi dada ao público a possibilidade de adquirir participação na empresa pela aquisição de ações, foi aberto a toda a população brasileira – ao contrário do processo de privatização defendido pelos tucanos, restrito a alguns poucos grupos econômicos internacionais.

A respeito das intenções de um hipotético governo tucano para a gestão do pré-sal, especula-se a retomada de uma agenda fortemente privatista para o setor. Em declaração recente ao jornal Valor Econômico, o principal assessor de José Serra para a área de enrgia, David Zylberstajn, afirmou que “Não tem que existir estatal comprando ou vendendo petróleo”. Vale lembrar que David Zylberstajn foi, no governo FHC, presidente da Agência Nacional do Petróleo, e um dos principais entusiastas da privatização da Petrobrás. Para se ter uma ideia, numa sondagem de mercado hoje reduzida ao anedotário histórico, chegou-se a especular que, num esforço para torná-la mais palatável a possíveis compradores estrangeiros, a companhia fosse rebatizada como “Petrobrax”.

Privatizações no governo José Serra

Quando governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra foi fiel ao projeto privatista, e pediu avaliações referentes à possível privatização de pelo menos 18 empresas pertencentes ao estado. Entre as companhias oferecidas ao setor privado, estariam nomes tradicionais como a Nossa Caixa, a Sabesp, o Metrô, CPTM, a Dersa e a CDHU.

E o banco Nossa Caixa, na verdade, escapou por pouco – posta em leilão, a instituição financeira acabou arrematada pelo Banco do Brasil, num esforço do Governo Federal para impedir que a companhia caísse nas mãos de grupos privados.

Em seu meio (porque até a metade) mandato à frente do estado, José Serra foi, no fim das contas, apenas fiel ao que defendia quando ministro do planejamento do governo FHC. Quem o diz é o proprio ex-presidente, que ressaltou, em conversa recente com a revista Veja, o entusiasmado papel desempenhado por Serra nas privatizações da década passada.

.