Wevergton B. Lima: Marina Silva e a “Santa” Natureza
Recentemente Heloísa Helena divulgou que sua “amiga” Marina Silva tinha se convencido a fundar um novo partido e disputar as eleições presidenciais de 2014, no que contava com seu (dela) apoio. Nada mais legítimo.
Por Wevergton Brito Lima para o Portal Vermelho.
O problema é que, “por coincidência”, a partir daí meu e-mail acabou sendo “sorteado” por algum marinista convicto, muito cioso de suas obrigações como militante e que tem certeza de que eu não consigo passar sem ler as colunas de Marina Silva publicadas pela Folha de S.Paulo, inclusive com direito a retrospectivas!
Nas redes sociais também já é comum encontrar este tipo de iniciativa, principalmente de jovens, encantados sobre como Marina Silva, obreira da Assembleia de Deus, é legal e moderna (pois defende a natureza).
Eu já conhecia a face colunista da presidenciável, mas desisti de ser um leitor assíduo no dia em que ela comparou Chico Mendes com Dom Eugênio Sales...
Sobre meio ambiente o que se extrai das colunas da ex-senadora vem de uma visão idealizada da natureza e, mesmo quando ela fala em melhorar indicadores sociais, fica claro que a melhora destes é subordinada ao olhar místico de uma natureza idílica e pura.
Aliás, raramente você consegue ler ou ouvir alguma coisa minimamente coerente de certo tipo de “ambientalista” adorador do Al Gore e defensor do “capitalismo verde”.
Antes que alguém fique chateado e me acuse de distorcer as posições de Marina, peço apenas que leiam artigos dos dois personagens (Marina e Al Gore). Neles, sem falta, o leitor encontrará a mesma embrulhada de moralismo pequeno-burguês, “fetichização” da natureza, teorias catastrofistas, de vez em quando acompanhadas de fartas doses de misticismo e esoterismo da pior espécie. Tanto assim que, na Campus Party de 2011, segundo reportagem da Veja, “o clímax foi atingido quando Gore agradeceu a presença no evento da ex-candidata à Presidência da República Marina Silva – chamando-a carinhosamente de ‘minha amiga’. O público foi ao delírio. A ‘verde’ Marina acompanhou o debate sentada entre os campuseiros.”
Antes de qualquer alusão ao significado político das movimentações de Marina Silva, creio ser importante buscar entender o que significa, do ponto de vista ideológico, o discurso que Marina e muitos dos seus seguidores fazem sobre o meio ambiente.
A ilusão
Desde a queda do Muro de Berlim uma gigantesca máquina de propaganda tenta convencer o mundo de que a luta por um novo sistema social é utópica e irreal, e busca canalizar a vocação rebelde da juventude para causas colaterais que não ataquem o que realmente possa representar perigo ao status quo.
A “luta pela preservação ambiental”, destituída de conteúdo político, tem servido como uma luva a este propósito.
A visão mistificada da natureza é muito bem vendida por uma sórdida aliança entre mídia hegemônica, ONGs testas de ferro de interesses imperialistas e políticos oportunistas (alguns incrivelmente usados sem terem disso consciência, outros descaradamente canalhas), e consegue fascinar um incrível número de jovens bem intencionados que acabam convencidos de que o maior problema do mundo é salvar o urso panda, contribuindo assim para a alienação da juventude das causas reais da devastação ambiental e das injustiças sociais.
O Urso Panda, aliás, se dependesse da “santa” natureza já tinha ido pro vinagre há muito tempo. Esse animal é um bicho que evoluiu errado. Era carnívoro, virou herbívoro e passa 16 horas por dia comendo bambu. Apesar de comer de 9 a 14 quilos por dia, sua pouca absorção de nutrientes (característica de seu sistema digestivo ineficiente para o alimento que ele passou a comer) mal lhe sustenta as funções básicas do organismo.
Além disso, o Urso Panda, pra desespero da Ursa Panda, só quer saber de sexo uma vez por ano (tem um motel em Botafogo que tem o Urso Panda como símbolo, ou seja, um contrassenso).
A natureza, para desgosto da “trotskista cristã” Heloisa Helena, não perdoa esse tipo de falha e só o que salvou o Urso Panda da extinção foi a ação humana, que se dá ao trabalho de preservá-lo em cativeiro, fazendo de tudo para que o pouco entusiasmado Urso Panda procure com mais constância a senhora Ursa Panda, podendo nascer assim mais pandinhas.
Eu, de minha parte, apoio incondicionalmente as medidas contra a extinção do Urso Panda, se temos meios de preservá-lo, mas vejam que os que trabalham com a noção da “santa natureza” e aplaudem essa iniciativa caem em contradição com seu próprio discurso pois essa ação preservacionista é uma clara intervenção direta do homem no livre curso da natureza. Mas a natureza não é boa? A natureza não é justa? A natureza não é sábia? Claro que não! A natureza apenas é.
A natureza está pouco se lixando para considerações éticas, morais ou filosóficas. Quem tem estas preocupações somos nós, homens e mulheres.
Quando um jovem leão expulsa o leão mais velho da liderança de um bando, a primeira providência que o novo líder toma é devorar os leõezinhos, filhotes do antigo líder. A cena é de grande violência e dramaticidade. Num primeiro momento as leoas se unem para tentar deter o invasor e salvar os filhotes, mas via de regra são facilmente derrotadas. O jovem leão sai então à caça dos filhotes que, desesperados, tentam escapar, sem sucesso. Um a um são achados, mortos e devorados.
Rapidamente as leoas se adaptam à situação e se entregam ao novo líder. A “mãe” natureza não julga o “infanticídio” do leão e a conduta, digamos, muito liberal das leoas. O jovem leão, ao matar os filhotes, o faz por instinto, pois sem os filhotes as fêmeas entram mais rápido no cio e o Leão, ao contrário do Urso Panda, é um verdadeiro tarado e gosta de uma prole numerosa. Portanto, os discursos “infantilóides” sobre como a natureza tão boazinha é maltratada pelos homens maus é de uma superficialidade tão grande que raia à indigência mental, mas se extrairmos a essência da maior parte do discursos “eco-chatos” não é justamente isso que encontramos?
É lógico que a questão da preservação ambiental é um assunto da maior relevância e existe muita gente boa e séria que se intitula ambientalista, título que deve orgulhar e fazer parte do ideário de todo lutador social consequente. Mas, por outro lado, é preciso que essa discussão se dê em outras bases, onde os interesses pelo desenvolvimento humano, pelo combate à pobreza e à exclusão social não sejam colocados como inimigos da preservação ambiental. Sem um debate mais qualificado vamos apenas patinar na cantilena de charlatões e aproveitadores sem jamais aprofundar a questão que nos levará inevitavelmente a questionar o modo de produção. A devastação do meio ambiente é real? Claro. Existem espécies ameaçadas pela ação predatória do homem? Sem dúvida. Mas o modo de produção e os valores dominantes que daí decorrem são os reais problemas a serem enfrentados se quisermos falar a sério em preservação ambiental e não nos perdermos no pântano de “trotskismos cristãos” e outras aberrações.
Para finalizar, nas colunas da Marina publicadas pela Folha li duas vezes referências a uma carta aos jovens, escrita por Chico Mendes pouco antes de morrer. É engraçado que a colunista não tenha publicado nenhuma parte da mesma, já que ela é muito curta e incisiva. Em duas colunas distintas ela menciona a carta com destaque, mas sem citar qualquer trecho. Basta, no entanto, ler a carta para compreender que, para Marina, só interessa usar a face mais midiática do Chico Mendes. Termino, pois, com a carta do líder seringueiro que a Marina parece ter vergonha de divulgar. Por ela a gente percebe que, ele sim, compreendia a verdadeira dimensão da luta ambiental.
"Atenção, jovem do futuro:
Seis de setembro de 2120, aniversário ou centenário da Revolução Socialista Mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista, e que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade.
Aqui fica somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte.
Desculpem, eu estava sonhando quando escrevi esses acontecimentos que eu mesmo não verei.
Mas tenho o prazer de ter sonhado.
Chico Mendes"
Seis de setembro de 2120, aniversário ou centenário da Revolução Socialista Mundial, que unificou todos os povos do planeta num só ideal e num só pensamento de unidade socialista, e que pôs fim a todos os inimigos da nova sociedade.
Aqui fica somente a lembrança de um triste passado de dor, sofrimento e morte.
Desculpem, eu estava sonhando quando escrevi esses acontecimentos que eu mesmo não verei.
Mas tenho o prazer de ter sonhado.
Chico Mendes"
Antes da aula inaugural, tradicionalmente proferida pelo presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, foi realizada uma homenagem aos 10 anos de relançamento da Escola Nacional de Formação. O secretário nacional de Formação e Propaganda do PCdoB, Adalberto Monteiro, abordou a necessidade da capacitação teórica e política da militância comunista brasileira para que o Partido possa desempenhar suas responsabilidades no governo, nas lutas de ideias, nos movimentos sociais e no Parlamento.
Renato Rabelo reafirmou que a Formação e a Comunicação são frentes de trabalho prioritárias do Partido. “É preciso ter uma escola porque somos um Partido da ciência, de ideias e que pretende construir uma sociedade superior à capitalista. Isso requer o domínio da ciência e o domínio da teoria, sobretudo, o conhecimento da transformação da sociedade.”
O dirigente nacional avaliou as tendências atuais no Brasil e as perspectivas eleitorais de 2014. Segundo ele, a despeito da avassaladora campanha antipetista no pleito de 2012, através da exploração exaustiva do julgamento da Ação Penal 470, conhecida como “mensalão”, as forças progressistas brasileiras acumularam importantes vitórias. 
